
Salsugem
há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade
8 comments:
e eu que estava feliz não sei porquê, agora estou quase a chorar outra vez...
ohhhhhhhhh! esculpa
Tá toda a gente triste! Tá toda a gente a chorar! Tou a ficar exausta....
e triste, muito triste... mas não posso.
exausta e triste? ou só exausta? :)
va toca a animar!
ja andei à procura de uma coisa alegre para por, mas não encontro!
Anedotas! Por muito secas que possam ser pelo menos não nos metem a chorar :-(
mete tu uma!!!
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