Wednesday, December 20, 2006

triste nao sei porque. dou-vos al berto


Salsugem
há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade

8 comments:

Cláudia said...

e eu que estava feliz não sei porquê, agora estou quase a chorar outra vez...

catarina said...

ohhhhhhhhh! esculpa

Dalia said...

Tá toda a gente triste! Tá toda a gente a chorar! Tou a ficar exausta....

Dalia said...

e triste, muito triste... mas não posso.

catarina said...

exausta e triste? ou só exausta? :)
va toca a animar!

catarina said...

ja andei à procura de uma coisa alegre para por, mas não encontro!

Rita said...

Anedotas! Por muito secas que possam ser pelo menos não nos metem a chorar :-(

catarina said...

mete tu uma!!!